Josemaría Escrivá Obras
34

Quando está em jogo a defesa da verdade, como se pode desejar não desagradar a Deus e ao mesmo tempo não chocar com o ambiente? São coisas antagónicas: ou uma, ou outra! É preciso que o sacrifício seja holocausto; tem de queimar-se tudo... até "o que dirão"; até isso a que chamam "reputação".


35

Que claramente vejo agora que a "santa desvergonha" tem a sua raiz, muito profunda, no Evangelho! Cumpre a Vontade de Deus... lembrando-te de Jesus difamado, de Jesus cuspido e esbofeteado, de Jesus levado perante os tribunais de pigmeus... E de Jesus calado!

Propósito: baixar a fronte aos ultrajes e - contando também com as humilhações que, sem dúvida, hão-de vir - prosseguir a tarefa divina que o Amor Misericordioso de Nosso Senhor quis confiar-nos.


36

Assusta o mal que podemos causar se nos deixamos arrastar pelo medo ou vergonha de nos mostrarmos como cristãos na vida corrente.


37

Há alguns que, quando falam de Deus ou do apostolado, parecem sentir-se na necessidade de se defenderem. Talvez porque não descobriram o valor das virtudes humanas e, pelo contrário, lhes sobra deformação espiritual e covardia.


38

É inútil pretender agradar a todos. Descontentes, gente que proteste, sempre haverá. Olha como o resume a sabedoria popular: "Quando vai bem às ovelhas, vai mal aos lobos".


39

Não faças como esses que se assustam diante de um inimigo que só tem a força da sua "voz agressiva".


40

Compreendes o trabalho que se faz... Parece-te bem (!). Mas tens todo o cuidado de não colaborar, e mais ainda de que os outros não vejam ou não pensem que colaboras.

Tens medo de que te julguem melhor do que és, disseste-me! Não será que tens medo de que Deus e os homens te exijam mais coerência?


41

Parecia completamente decidido...; mas, ao pegar na caneta para romper com a namorada, a indecisão pôde mais, e faltou-lhe a coragem. Muito humano e compreensível, comentavam outros. Pelo visto, segundo alguns, os amores terrenos não estão entre as coisas que se têm de deixar para seguir plenamente Cristo, quando Ele o pede...


42

Há quem erre por fraqueza - pela fraqueza do barro de que somos feitos - e todavia se mantenha íntegro na doutrina. São os mesmos que, com a graça de Deus, mostram a coragem e a humildade heróicas de confessarem o seu erro, e de defenderem - com afinco - a verdade.


43

Alguns chamam imprudência e atrevimento à fé e à confiança em Deus.


44

"É uma loucura confiar em Deus!...", dizem. E não é maior loucura confiar em si mesmo, ou nos outros homens?


45

Escreves-me, dizendo que te aproximaste por fim do confessionário, e que sentiste a humilhação de ter de abrir a cloaca (é assim que o dizes) da tua vida diante de "um homem".

Quando arrancarás essa vã estima por ti mesmo? Então irás à Confissão contente por te mostrares como és, diante "desse homem" ungido (outro Cristo, o próprio Cristo!) que te dá a absolvição, o perdão de Deus.


46

Tenhamos a coragem de viver pública e constantemente de acordo com a nossa santa fé.


47

"Não podemos ser sectários", diziam-me, com ar de equanimidade, perante a firmeza da doutrina da Igreja.

Depois, quando lhes fiz ver que quem tem a Verdade não é sectário, compreenderam o seu engano.


48

Para nos convencermos de que é ridículo tomar a moda como norma de conduta, basta olhar para alguns retratos antigos.


49

Agrada-me que gostes das procissões e de todas as manifestações externas da nossa Mãe a Santa Igreja, para dar a Deus o culto devido... E que as vivas!


50

"Ego palam locutus sum mundo", Eu preguei publicamente diante de toda a gente - responde Jesus a Caifás, quando se aproxima o momento de dar a Vida por nós.

E, no entanto, há cristãos que se envergonham de manifestar "palam" - abertamente - veneração ao Senhor!


51

Quando se dá a debandada dos Apóstolos, e o povo enraivecido rasga as gargantas em ódio a Cristo, Santa Maria segue de perto o seu Filho pelas ruas de Jerusalém. Não a arreda o clamor da multidão, nem deixa de acompanhar o Redentor enquanto todos os do cortejo, no anonimato, se fazem covardemente valentes para maltratar Cristo.

Invoca-a com força - "Virgo fidelis!", Virgem fiel! - e roga-lhe que os que nos dizemos amigos de Deus o sejamos deveras e a toda a hora.


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