Josemaría Escrivá Obras
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Começar é de muitos; acabar, de poucos. Nós, que procuramos comportar-nos como filhos de Deus, temos de estar entre os segundos. não o esqueçais: só as tarefas terminadas com amor, bem acabadas, merecem aquele aplauso do Senhor, que se lê na Sagrada Escritura: é melhor o fim de uma obra do que o seu princípio.

É possível que já me tenhais ouvido contar, noutras conversas, esta história. Em todo o caso, interessa-me recordar-vo-la de novo, por ser muito gráfica e esclarecedora. Em certa ocasião, procurava eu no Ritual Romano a fórmula destinada a benzer a última pedra de um edifício, no fundo a mais importante, porque sintetiza, como um símbolo, o trabalho duro, esforçado e perseverante de muitas pessoas, durante longos anos. Fiquei surpreendido quando reparei que não existia, pelo que era necessário conformar-me com uma benedictio ad omnia, uma bênção genérica. Confesso-vos que me parecia impossível que houvesse tal lacuna e fui revendo devagar, embora inutilmente, o índice do Ritual.

Muitos cristãos perderam a convicção de que a integridade de Vida, pedida pelo Senhor aos seus filhos, exige um cuidado autêntico ao realizarem as tarefas pessoais, que têm de santificar, sem descurarem inclusivamente os pormenores mais pequenos.

Não podemos oferecer ao Senhor uma coisa que, dentro das pobres limitações humanas, não seja perfeita, sem defeitos e realizada com toda a atenção, mesmo nos aspectos mais insignificantes, porque Deus não aceita o que é mal feito. Não oferecereis nada que tenha defeito, porque não seria aceite favoravelmente, adverte-nos a Escritura Santa. Por isso, o trabalho de cada um de nós, esse trabalho que ocupa as nossas jornadas e as nossas energias, há-de ser uma oferenda digna do Criador, operatio Dei, trabalho de Deus e para Deus. Numa palavra, uma tarefa bem cumprida e impecável.

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